As linhas verticais que aparecem em volta da boca — o chamado código de barras — não têm hora certa para surgir. Em algumas pessoas elas aparecem antes dos 30, em outras só depois dos 50. A diferença não é sorte. É uma combinação de anatomia, hábito e exposição.
O que forma essas linhas
A pele ao redor da boca é diferente do resto do rosto. Ela é mais fina, tem menos glândulas sebáceas e quase nenhuma camada de gordura por baixo. Embaixo dela fica o músculo orbicular da boca, que se contrai centenas de vezes por dia — falar, mastigar, beber no canudo, assobiar, franzir os lábios. Cada contração marca uma linha de expressão. Com o tempo, e com a perda progressiva de colágeno e elastina, essas linhas deixam de sumir quando o músculo relaxa. Viram sulco fixo, visível mesmo com o rosto parado.
É por isso que rugas ao redor da boca costumam vir junto de outro sinal: o contorno labial marcado, aquele relevo que aparece na borda do lábio como se a pele tivesse encolhido em volta dele.
Por que em algumas pessoas aparece antes
Alguns fatores adiantam esse processo de forma bem concreta:
- Fototipo e exposição solar sem proteção. Pele mais clara e histórico de sol sem filtro solar quebram fibras de colágeno mais rápido, principalmente numa região já fina como essa.
- Tabagismo. O hábito de tragar contrai o músculo orbicular de forma repetitiva e reduz a oxigenação da pele. É um dos fatores mais associados a linhas periorais precoces, inclusive em pacientes jovens.
- Perda de volume labial. Lábios que perdem sustentação ao longo dos anos deixam a pele ao redor sem apoio. Ela colaba sobre a estrutura óssea e muscular, e as linhas ficam mais evidentes.
- Hábitos de mímica repetitiva. Uso frequente de canudo, hábito de segurar objetos entre os lábios, expressões repetidas de contração — tudo isso soma contração muscular ao longo dos anos.
- Genética e espessura de pele. Duas pessoas da mesma idade, com a mesma rotina de sol, podem ter graus bem diferentes de marcação. A espessura dérmica herdada pesa nisso.
Nenhum desses fatores age sozinho. Normalmente é a soma de dois ou três que faz a diferença entre alguém que nota o código de barras aos 35 e outra pessoa que só percebe aos 55.
O que entra na avaliação
Quando a queixa é rugas no lábio ou linhas periorais, a avaliação distingue duas coisas: o componente dinâmico, ligado à contração muscular repetida, e o componente estrutural, ligado à perda de volume e de suporte da pele.
A toxina botulínica é indicada para casos em que a atividade muscular excessiva é a principal responsável pela marcação — ela atua reduzindo a contração naquela área específica. Já o preenchimento com ácido hialurônico é usado quando falta volume no lábio ou na região perioral, repondo sustentação sob a pele. Em muitos casos as duas abordagens são discutidas juntas, cada uma respondendo a uma parte diferente do que forma o código de barras.
Nenhuma dessas técnicas é escolhida sem antes examinar o rosto por completo — a espessura da pele, o grau de contração muscular, o histórico de sol e tabagismo, o volume labial atual. A resposta de cada organismo é individual, e é a avaliação presencial que define o que é indicado e o que não é indicado para cada caso.
Prevenção também conta
Protetor solar diário na região perioral, redução do hábito de tabagismo e atenção a gestos repetitivos de contração labial são medidas que ajudam a não acelerar o processo — mesmo sem substituir uma avaliação profissional quando a queixa já está instalada.
Se você já percebe essas linhas se marcando e quer entender o que se aplica ao seu caso, fale comigo pelo WhatsApp e agende uma avaliação. Atendo em consultório próprio na Lapa, São Paulo, com mais de 25 anos de atuação como cirurgiã-dentista, Mestre em Traumatologia e mais de 1.000 procedimentos de harmonização orofacial realizados.
Dra. Priscila Oshiro — CRO-SP 70.865